Radiografia industrial · fontes seladas Ir-192 e Se-75

Gamagrafia Industrial

Gamagrafia industrial com fontes de Irídio-192 e Selênio-75 para soldas, tubulações, vasos de pressão e estruturas em campo — sem depender de energia elétrica, com proteção radiológica autorizada pela CNEN/ANSN e laudo conforme a norma do projeto, no Rio de Janeiro e em todo o Brasil.

Irradiador gama (projetor de fonte) com rótulo de material radioativo, equipamento usado na gamagrafia industrial

O método

O que é gamagrafia e como ela funciona

A gamagrafia é uma modalidade de radiografia industrial em que a radiação vem do decaimento de um radioisótopo — no Brasil, quase sempre Irídio-192 ou Selênio-75. A fonte é uma pastilha selada em cápsula metálica, presa a um porta-fonte e guardada dentro do irradiador (projetor): um equipamento blindado com urânio exaurido ou tungstênio que mantém a radiação contida enquanto a fonte está recolhida.

Na hora do ensaio, o operador conecta o tubo-guia e o cabo de comando, posiciona a ponta do tubo-guia (com o colimador, que limita o feixe à região de interesse) junto à peça e, a distância, aciona a manivela para levar a fonte até a posição de exposição. A radiação gama atravessa a peça, sensibiliza o filme do outro lado e, terminado o tempo calculado, a fonte é recolhida para a blindagem. Só então a equipe se aproxima.

Como toda fonte radioativa, a atividade decai com o tempo: a cada meia-vida (cerca de 74 dias para o Ir-192 e cerca de 120 dias para o Se-75) ela cai pela metade e o tempo de exposição dobra. Por isso as fontes são trocadas periodicamente e o cálculo de exposição é refeito a cada serviço, com base na atividade do dia.

Inspetor da CB Inspeções operando o equipamento de gamagrafia junto a tubos de aço inox de grande diâmetro em galpão industrial

Escolha da fonte

Ir-192 ou Se-75: qual fonte para a sua peça

Os dois isótopos geram imagens com a mesma lógica de interpretação. A energia da radiação é que define contraste, espessura e tamanho da área a isolar.

CaracterísticaIrídio-192 (Ir-192)Selênio-75 (Se-75)
Meia-vidaCerca de 74 diasCerca de 120 dias
Energia da radiação gamaMais alta (energia média em torno de 0,4 MeV, com linhas principais entre 0,3 e 0,6 MeV)Mais baixa (energia média em torno de 0,2 MeV, com linhas entre 0,12 e 0,4 MeV)
Faixa usual em aço (ISO 17636-1, classe A)Cerca de 20 a 100 mmCerca de 10 a 40 mm
Contraste em paredes finasMenor — a energia alta reduz o contraste abaixo de 20 mmMaior — aproxima-se dos raios X em tubulações de parede fina
Blindagem e peso do irradiadorMaior; área de isolamento maior para a mesma atividadeMenor; irradiadores mais leves e área de isolamento menor
Aplicações típicasTubulações de parede média e grossa, vasos, costados, estruturas pesadas, panorâmicasTubulações de pequeno diâmetro e parede fina, spools, inox, juntas em que se exige mais sensibilidade

Faixas de espessura orientativas, para aço; a ISO 17636-1 admite ajustes na classe B e em outros materiais. A fonte e os parâmetros definitivos constam do procedimento radiográfico qualificado pela CB.

Inspetor com uniforme da CB Inspeções e capacete operando o equipamento de gamagrafia em campo

Por que em campo

Vantagens em campo: onde a gamagrafia é insubstituível

  • Independe de energia elétricaIrradiador, tubo-guia e cabo de comando são mecânicos: a exposição acontece em qualquer frente de obra, plataforma, canteiro remoto ou parada de manutenção.
  • Portabilidade e acessoO conjunto vai para onde a solda está: alturas, espaços confinados, trincheiras, pipe-racks e áreas sem infraestrutura.
  • Panorâmica em grandes diâmetrosFonte posicionada no centro do tubo ou vaso e filmes em todo o perímetro: a junta completa em uma única exposição, com ganho real de produtividade.
  • Espessuras maioresO Ir-192 cobre paredes que os aparelhos portáteis de raios X não atravessam em tempo prático; o Se-75 resolve as paredes finas em campo com bom contraste.
  • Produtividade em tubulaçãoTroca rápida de posição entre juntas, exposições simultâneas com mais de um filme e equipe enxuta por frente — por isso a gamagrafia domina a radiografia de tubulações e dutos.

Aplicações

Tubulações, vasos, estruturas, válvulas e fundidos

Em tubulação, a gamagrafia aplica as técnicas de parede dupla vista simples (PDVS), parede dupla vista dupla (PDVD) em pequenos diâmetros, parede simples (PSVS) e panorâmica com a fonte centrada — o número de exposições por junta é definido conforme o diâmetro, a espessura e a norma. A avaliação das imagens segue os critérios do código do projeto: ASME VIII, ASME B31.3, API 1104, AWS D1.1 ou Petrobras N-1595, entre outros. Veja como tratamos cada caso em radiografia de tubulações e inspeção de soldas por radiografia.

Radioproteção

Radioproteção na gamagrafia: como a CB opera

Uma fonte gama emite radiação o tempo todo. O que torna o ensaio seguro é a blindagem, o procedimento e as pessoas — e isso é verificável.

  • Instalação autorizada e pessoas certificadasA CB é instalação radiativa autorizada pela CNEN/ANSN; as exposições são conduzidas por operadores registrados, sob supervisor de proteção radiológica certificado.
  • Plano de radioproteção específicoCálculo da área controlada a partir da atividade da fonte, do colimador e das blindagens locais; isolamento físico, sinalização e controle de acesso antes de expor a fonte.
  • Monitoração contínuaDetector de radiação calibrado em operação durante todo o serviço, dosímetro de leitura direta com alarme e verificação de que a fonte voltou à posição blindada ao fim de cada exposição.
  • Dosimetria individualCada trabalhador exposto usa dosímetro individual avaliado periodicamente por laboratório credenciado, com registro histórico de dose e acompanhamento médico.
  • Controle de fontesInventário, certificados, testes de fuga (esfregaço), registro de movimentação comunicado à autoridade reguladora e guarda em depósito blindado licenciado.
  • Emergência planejadaProcedimento para fonte presa ou desconectada, kit de emergência e equipe treinada — e o cliente recebe o plano na integração, antes do primeiro dia de serviço.

Saiba mais sobre proteção radiológica

Irradiador gama com rótulo de embalagem para transporte de material radioativo, sobre base amarela

Logística de fonte

Transporte e guarda das fontes

A fonte chega à obra dentro do irradiador, em embalagem certificada para material radioativo, com os rótulos de categoria exigidos, em veículo sinalizado e conduzido por motorista habilitado para o transporte de produtos perigosos, acompanhada da documentação de expedição e de emergência. O transporte segue a norma CNEN NN 5.01 e a regulamentação de transporte terrestre de produtos perigosos (ANTT); fora de uso, as fontes ficam em depósito blindado licenciado da instalação, com inventário e registro de movimentação.

Para o cliente, isso significa previsibilidade: a CB informa na proposta a fonte prevista, a área de isolamento estimada e os documentos que serão apresentados na integração — autorização da instalação, certificado do supervisor, registros dos operadores, certificado e teste de fuga da fonte e plano de radioproteção do serviço. Se a obra fica no estado do Rio, veja como organizamos a mobilização em radiografia industrial no Rio de Janeiro; para outros estados, a logística é planejada caso a caso.

FAQ

Perguntas frequentes sobre gamagrafia industrial

O que é gamagrafia industrial?

É a radiografia industrial feita com fonte radioativa selada (normalmente Irídio-192 ou Selênio-75) em vez de aparelho de raios X. A radiação gama atravessa a peça e registra no filme ou detector a imagem interna de soldas, fundidos e tubulações, revelando poros, inclusões, falta de fusão, falta de penetração e trincas.

Ir-192 ou Se-75: quando usar cada fonte?

O Se-75 dá melhor contraste em aços de menor espessura (aproximadamente 10 a 40 mm); o Ir-192 cobre espessuras maiores (aproximadamente 20 a 100 mm) com maior penetração. A escolha segue a ISO 17636-1, o ASME V e o código de projeto, e é fixada no procedimento radiográfico.

A gamagrafia pode ser feita em obra, sem energia elétrica?

Sim. O irradiador é portátil e não precisa de rede elétrica, o que torna a gamagrafia a técnica padrão para dutos, tubulações e estruturas em campo, em plataformas e em estaleiros. Só o laboratório de processamento de filmes precisa de energia — e ele pode ser móvel.

Quem pode operar uma fonte de gamagrafia?

Apenas operadores registrados na CNEN/ANSN, sob um supervisor de proteção radiológica certificado, dentro de uma instalação radiativa autorizada. A CB Inspeções cumpre os três requisitos e apresenta a documentação na integração com o cliente.

Gamagrafia serve para válvulas e peças fundidas?

Sim. Fabricantes de válvulas e fundições usam gamagrafia para detectar vazios, inclusões e trincas internas em corpos e castelos antes da usinagem e do teste hidrostático — sobretudo em paredes espessas, onde o Ir-192 é mais eficiente que os raios X portátil.

A peça fica radioativa depois da gamagrafia?

Não. A radiação gama do Ir-192 e do Se-75 atravessa o material sem torná-lo radioativo. Terminada a exposição, a fonte volta à posição blindada do irradiador e a peça pode ser manuseada normalmente.

Quanto tempo dura uma exposição de gamagrafia?

De alguns segundos a vários minutos, conforme a atividade da fonte, a espessura e o material da peça, a distância fonte-filme, o filme e as telas. A atividade da fonte cai pela metade a cada meia-vida, e o tempo é recalculado em cada serviço.

Precisa de gamagrafia em tubulações, vasos ou estruturas?

Envie diâmetro, espessura, quantidade de juntas, norma, local e prazo. Definimos a fonte (Ir-192 ou Se-75), a técnica e a área de isolamento, e respondemos com proposta objetiva.